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Como aumentar o MTBF dos equipamentos industriais?

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como aumentar o mtbf

Aumentar o MTBF (tempo médio entre falhas) significa ampliar o intervalo de operação dos equipamentos industriais sem interrupções causadas por falhas. Na rotina da manutenção industrial, é comum encontrar operações onde as falhas continuam ocorrendo em intervalos curtos, mesmo com aumento no volume de intervenções. 

Equipamentos que voltam a apresentar problemas pouco tempo após a manutenção, planos que não geram ganho real de desempenho e equipes atuando de forma reativa indicam que o problema não está no indicador, mas na forma como a manutenção está sendo executada.

Esse cenário impacta diretamente o tempo de inatividade dos equipamentos, eleva os custos operacionais e reduz a previsibilidade da produção. Sem uma abordagem estruturada para eliminar falhas recorrentes e melhorar a execução das intervenções, o intervalo entre falhas tende a permanecer reduzido, independentemente do esforço da equipe.

É exatamente isso que vamos resolver neste artigo. A seguir, você verá ações práticas para aumentar o MTBF dos equipamentos industriais, reduzir falhas recorrentes e melhorar o desempenho da manutenção com base no comportamento real dos ativos.

Por que o MTBF dos seus equipamentos não aumenta?

Antes de buscar soluções, é importante entender por que o intervalo entre falhas continua curto em muitas operações industriais. Na maioria dos casos, o problema não está no indicador em si, mas em fatores operacionais e técnicos que mantêm o equipamento em um ciclo constante de falhas e intervenções.

Na prática, algumas causas são recorrentes:

1. Falhas recorrentes após manutenção

Quando o equipamento volta a falhar pouco tempo depois de uma intervenção, isso indica que a causa do problema não foi eliminada. Nesses casos, a manutenção corrige o efeito, mas não atua na origem da falha, reduzindo o tempo entre ocorrências.

2. Intervenções sem padrão definido

A ausência de procedimentos padronizados faz com que cada intervenção seja executada de forma diferente. Essa variabilidade compromete a consistência dos resultados e impede que o equipamento alcance um desempenho estável ao longo do tempo.

3. Condições operacionais fora do especificado

Sobrecarga, operação contínua acima da capacidade, ambiente agressivo ou uso inadequado do equipamento aceleram o desgaste dos componentes. Mesmo com manutenção preventiva, o intervalo entre falhas tende a permanecer reduzido nessas condições.

4. Lubrificação inadequada ou contaminada

A falta de controle sobre tipo de lubrificante, periodicidade ou contaminação compromete diretamente o funcionamento de componentes críticos, como rolamentos, redutores e mancais. Os erros de lubrificação são um dos fatores que mais contribuem para falhas prematuras.

5. Uso de peças incompatíveis ou de baixa qualidade

Componentes fora de especificação ou com qualidade inferior afetam o desempenho do equipamento e aumentam a frequência de falhas. Mesmo com instalação correta, a durabilidade não será compatível com o regime de operação.

Quando esses fatores não são tratados de forma estruturada, a manutenção entra em um ciclo de correções sucessivas e emergenciais, sem ganho real no desempenho dos ativos. É por isso que, para aumentar o MTBF, não basta intervir mais vezes, é preciso intervir melhor.

Como aumentar o MTBF na prática (ações que impactam o desempenho dos equipamentos)

Aumentar o intervalo entre falhas exige mudanças na forma como a manutenção é executada no dia a dia. Não se trata de aumentar a frequência das intervenções, mas de garantir que cada ação contribua efetivamente para estabilizar o desempenho dos equipamentos e evitar recorrência de problemas.

A seguir, veja as principais ações que impactam diretamente o MTBF:

1. Melhorar a qualidade das intervenções de manutenção

Intervenções mal executadas são uma das principais causas de falhas recorrentes.
Quando a montagem não respeita tolerâncias, ajustes ou especificações técnicas, o equipamento volta a apresentar problemas em pouco tempo.

Na prática industrial, falhas relacionadas a erros da manutenção estão frequentemente associadas a montagem inadequada, desalinhamento e erros de ajuste, que geram esforços adicionais e aceleram o desgaste dos componentes.

O que fazer na prática para melhorar o MTBF:

  • padronizar etapas de desmontagem e montagem;
  • utilizar checklists técnicos por tipo de intervenção;
  • validar torque, folgas e ajustes críticos;
  • realizar testes operacionais antes da liberação do equipamento;
  • registrar a intervenção para rastreabilidade.

Padronizar procedimentos, validar cada etapa da intervenção e garantir testes após a execução reduz retrabalho e aumenta o intervalo entre falhas.

Redução de Erros com a elaboração de procedimentos operacionais POP

2. Padronizar procedimentos de manutenção

A falta de padrão faz com que cada técnico execute a mesma atividade de forma diferente, gerando resultados inconsistentes.

Com procedimentos definidos, a manutenção passa a ter repetibilidade, o que contribui para um comportamento mais estável dos equipamentos.

O que fazer na prática para melhorar o tempo entre falhas:

  • documentar procedimentos técnicos por tipo de equipamento;
  • definir padrões de execução para atividades críticas;
  • revisar e atualizar procedimentos com base em falhas recorrentes;
  • treinar a equipe para execução padronizada;
  • auditar intervenções realizadas.

Essa padronização reduz a variabilidade e melhora a previsibilidade do desempenho ao longo do tempo.

3. Garantir controle de torque, montagem e ajustes

Fixações mal apertadas, folgas fora de especificação e ajustes incorretos geram esforços adicionais nos componentes. Esses desvios aceleram o desgaste e reduzem o tempo de operação entre falhas.

O que fazer na prática:

  • utilizar ferramentas calibradas (torquímetro, alinhadores, etc.);
  • seguir especificações do fabricante;
  • aplicar torque controlado em fixações críticas;
  • verificar folgas e ajustes após montagem;
  • registrar parâmetros aplicados na intervenção.

O uso de ferramentas calibradas e o controle rigoroso dos parâmetros de montagem aumentam a confiabilidade da intervenção.

4. Corrigir desalinhamentos e desbalanceamentos

Desalinhamento de eixos e desbalanceamento de conjuntos rotativos elevam níveis de vibração e temperatura, comprometendo o desempenho do equipamento.

O que fazer na prática:

  • realizar alinhamento de eixos com ferramentas adequadas;
  • aplicar balanceamento dinâmico em conjuntos rotativos;
  • monitorar vibração periodicamente;
  • inspecionar acoplamentos e suportes;
  • corrigir desalinhamentos após cada intervenção relevante.

A correção dessas condições reduz esforços mecânicos desnecessários e contribui para ampliar o tempo de operação sem falhas.

5. Melhorar a especificação e padronização de peças

O uso de peças incompatíveis com o regime de operação ou de baixa qualidade compromete diretamente o desempenho do equipamento.

O que fazer na prática:

  • definir especificações técnicas mínimas para cada componente;
  • padronizar fornecedores homologados;
  • evitar substituições improvisadas;
  • comparar desempenho entre peças utilizadas e calcular o TCO;
  • registrar histórico de falhas por componente.

Padronizar fornecedores, definir critérios técnicos de seleção e acompanhar o histórico de desempenho dos componentes evita substituições frequentes e falhas prematuras.

Lubrificação baseada na condição

6. Controlar lubrificação e contaminação

Lubrificação inadequada é uma das principais causas de falhas em equipamentos industriais. Excesso, falta ou contaminação do lubrificante reduzem a vida útil dos componentes e comprometem o desempenho operacional.

Estudos indicam que uma parcela significativa das falhas em equipamentos rotativos está diretamente associada à lubrificação. Em aplicações industriais, cerca de 34% das falhas estão ligadas a problemas de lubrificação, e aproximadamente 14% estão relacionadas à contaminação do lubrificante.

Além disso, fabricantes como a SKF apontam que práticas inadequadas de lubrificação podem representar até 36% das falhas em rolamentos, podendo chegar a mais de 50% quando há contaminação envolvida.

O que fazer na prática:

  • definir tipo de lubrificante adequado para cada aplicação;
  • estabelecer periodicidade de lubrificação;
  • controlar contaminação (partículas, água, vedação);
  • aplicar técnicas corretas de lubrificação;
  • monitorar a condição do lubrificante (análise de óleo).

Estabelecer planos de lubrificação, definir periodicidade adequada e controlar contaminação aumenta significativamente o tempo entre falhas.

7. Investir na capacitação da equipe de manutenção

A execução técnica influencia diretamente o desempenho do equipamento após a intervenção. Equipes bem treinadas aplicam corretamente os procedimentos, identificam desvios e evitam erros que geram falhas recorrentes.

A capacitação contínua reduz a variabilidade e melhora a qualidade das intervenções.

O que fazer na prática:

  • capacitar técnicos em montagem e diagnóstico;
  • treinar leitura de manuais e especificações técnicas;
  • desenvolver conhecimento em modos de falha;
  • promover reciclagens periódicas;
  • padronizar boas práticas operacionais.

Essas ações têm um ponto em comum: todas atuam na eliminação das causas que reduzem o intervalo entre falhas.
Quando aplicadas de forma consistente, elas transformam o MTBF em consequência de uma manutenção mais estruturada, e não apenas em um número acompanhado em relatórios.

8. Implementar monitoramento contínuo e técnicas preditivas

Mesmo com boas práticas de manutenção, falhas podem evoluir silenciosamente até se tornarem críticas. O monitoramento contínuo permite identificar alterações no comportamento dos equipamentos antes que resultem em paradas não programadas.

Ao acompanhar parâmetros como vibração, temperatura e condição do lubrificante, é possível atuar no momento certo, evitando intervenções tardias e ampliando o tempo entre falhas.

O que fazer na prática:

  • aplicar análise de vibração em equipamentos rotativos críticos;
  • utilizar termografia para identificar pontos de aquecimento anormal;
  • implementar análise de óleo para monitorar desgaste e contaminação;
  • estabelecer rotinas de inspeção baseadas em condição;
  • priorizar ativos com maior impacto para monitoramento contínuo;
  • utilizar dados de condição para planejar intervenções. 

A preditiva é um dos caminhos mais consistentes para elevar o MTBF de forma sustentável.

Conclusão

Em resumo, acompanhar o tempo médio entre falhas não é apenas uma mensuração de indicador. É uma maneira de entender o comportamento dos equipamentos e transformar essa informação em decisões que fortalecem a rotina da manutenção industrial. 

Quanto mais estruturados forem os registros e mais disciplinado for o acompanhamento, mais valioso esse indicador se torna para o dia a dia da operação.

O MTBF se torna um apoio essencial para ajustar planos de manutenção, revisar procedimentos e direcionar melhorias de engenharia. Isso permite que o gestor trabalhe com mais clareza, identificando onde estão os riscos e onde estão as oportunidades de elevar o desempenho da planta.